20/05/2018

MORRE CLEICE FREIRE (O NOBRE).


QUANDO OS ‘NOBRES’ PARTEM

Não é do meu costume, publicar sobre amigos que morrem. Mas, o Cleice merece um livro de palavras.

A todos, ele chamava de ‘Nobre’, como eu chamo quem convive comigo de ‘Cacique’. Cleice ganhou o apelido de ‘Nobre’.

Quando eu morava em Tarauacá, passava horas na casa do Cleice, tomava o seu café, e ouvia conselhos e desabafava sobre política, falava tudo e também ouvia. Éramos conselheiros um do outro. E, acima de tudo, amigos.

De fato, Cleice era um ‘Nobre’, sua educação e cavalheirismo com as pessoas, seu jeito manso de chegar, sua leveza. E, quando engrossava com alguém, era porque pedaços de desespero tinham aparecido na superfície de sua alma.

Cleice respirava política, comia política, vivia política, adorava política. Talvez, nós, os políticos é que não tenhamos percebido a sua dedicação, valorizado a sua militância, numa cidade, Tarauacá, que transformou a política em oxigênio e, me parece, que permitiu o domínio do gás carbônico, no lugar da pureza e da sensibilidade do ar da vida.

Meu velho amigo Cleice partiu, cobrando que eu o visitasse mais, quando fosse a Tarauacá, ele queria ouvir e falar, queria que a gente o entendesse como um homem ‘Nobre’.

Meu ‘Nobre’, o que eu posso fazer em nome da nossa amizade? Minha primeira ação, quando eu for a Tarauacá, será visitar tua família e me colocar à disposição dela e também cuidar da tua memória. Você é um patrimônio ‘Nobre’ da Terra do Abacaxi Gigante e da Mulher Bonita.

Vai com Deus, amigo Cleice, e cuida aí em cima, da gente que ficou perdido, angustiado, faminto e sem amor, mas, também esperançosos, aqui debaixo do sol.

Deus é contigo, meu irmão Cleice, meu ‘Nobre’!

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