sábado, 10 de novembro de 2018

Povos indígenas Wai Wai e Baniwa fazem intercâmbio sobre a cultura, produção e comercialização da pimenta em pó


Um intercâmbio promovido por entidades que atuam na Amazônia aproximou indígenas da Wai Wai do povo Baniwa, para conhecer as etapas de produção e comercialização da pimenta em pó, iguaria fundamental na vida desses povos

Produtoras indígenas da etnia Wai Wai que habitam as cabeceiras do Rio Mapuera, no extremo norte do Pará, desde sempre produzem e usam a pimenta em pó (chamada na língua Wai Wai de “assissi”) em suas alimentações, havendo inclusive uma forte relação cultural. Porém, elas enfrentam problemas que limitam sua comercialização. Para melhorar este processo, a Equipe de Conservação da Amazônia (ECAM) e o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) intermediaram, dias 28 a 30 de outubro, um intercâmbio para elas conhecessem o formato de produção e comercialização da pimenta do povo Baniwa. O encontro, financiado via Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e Swedish, aconteceu em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, onde visitaram o escritório do Instituto Socioambiental (ISA) e a aldeia Yamado do povo Baniwa.

Uma comitiva Wai Wai composta por produtoras, lideranças e Associação do Povo Indígena Mapuera (Apim) participaram da iniciativa, em uma troca de experiências e informações. Atualmente, as grandes dificuldades do povo Wai Wai em relação à comercialização da pimenta em pó estão nos custos de transporte para escoamento (a aldeia fica cerca de 3 dias de canoa ou barco do município mais próximo, Oriximiná), estrutura para produção da pimenta que atenda as exigências sanitárias para a comercialização, aquisição de embalagens apropriadas, emissão de nota fiscal, entre outros fatores para então ser comercializada para outras cidades, estados e quem sabe países.

Com o encontro, puderam analisar, a partir de um modelo semelhante e bem sucedido que são as pimentas produzidas pelos indígenas Baniwa, e acompanhar todo o processo de produção da pimenta para a comercialização, a estrutura organizacional necessária para a gestão financeira e o frutos que as produtoras Baniwa estão colhendo dessa comercialização. Também puderam entender onde estão os desafios da sua produção e então aprimorar o próprio processo.

Agora, as etapas começaram a se estruturar, em um trabalho de equipe que envolve diversas organizações e entidades. A Associação das Mulheres Indígenas da Região do Município de Oriximiná (Amirmo), que enviou representantes para os 3 dias de intercâmbio, ficou incumbida de catalogar os tipos de pimenta Wai Wai junto com as produtoras indígenas das aldeias, por meio de um formulário. Isto é um passo importante para que se entenda melhor as variedades de pimenta e inicie uma organização das informações para estruturar a comercialização.

Além do intercâmbio sobre a pimenta em pó, a equipe pode fazer uma visita à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRNI), uma organização indígena que é exemplo de autonomia para as associações indígenas de todo o Brasil, e também aproveitaram para trocar e comercializar o artesanato Wai Wai na loja Wariró, que possui artesanato de indígenas de toda a região do Rio Negro e agora também artesanato Wai Wai.
Mônica Marques
Assessora de Imprensa
Prezz Comunicação
(61) 99514.5393
fotos: Meline Cabral.

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