8.04.2020

Artigo: Política x politicagem

Em tempos de eleições, seja para prefeito, vereador ou para representante da classe no conselho nacional, chamado de delegado-eleitor, como foi o caso dos cirurgiões-dentistas em assembleia ocorrida no último dia 27, o que nos salta aos olhos é a diferença entre fazer política e fazer politicagem.

Política é o ato legítimo de representar o povo, ou a sua classe, defendendo e lutando pelos seus interesses. Política é ciência, a arte da negociação honesta, o termo tem origem grega politiká, uma derivação de polis que designa aquilo que é público. Já a politicagem é feita de acordos às escondidas, barganhas, onde geralmente o apoio vem em troca de indicações para cargos, apoio em outros pleitos, e muitos outros atos ilícitos que corrompem o processo democrático. Tudo isso acontece por debaixo dos panos, em sigilosos encontros.

A politicagem é feita de contradições, onde aliados momentâneos se deparam com o choque de interesses e de linhas de condutas e posturas. Política tem a ver com autoridade consciente, com poder de escolha ao que interessa e é melhor para o coletivo, com a representação de grupo.
Temos a grande inclinação para evitarmos assuntos ligados a política, e por muitas vezes já proferimos ou ouvimos a frase: “eu não gosto de política”. Mas política não é somente a partidária, aquela voltada para a eleição de candidatos a cargos públicos, os tais políticos profissionais. Fazemos política a todo instante quando estabelecemos relações entre aqueles que convivem conosco seja em família, no trabalho, em ambientes comuns.


Votar é obrigatório, porém, mesmo não concordando com esta imposição, não é inteligente de nossa parte desperdiçarmos esta oportunidade de exercermos a democracia e o poder de escolha. Quem não participa do processo político, não conhece as pessoas envolvidas, acaba por jogar o seu voto fora, dando oportunidade aos aproveitadores de se beneficiarem ainda, espalhando a corrupção e enganando o povo. A sanção que sofremos caso não comparecermos nos dias marcados para o depósito do voto, devemos direcionar àqueles que se propõe a nos representar. Podemos virar o jogo fazendo com que a responsabilidade seja atribuída a quem se prontificou a representar-nos.

Política é a arte da estratégia, e não da apropriação. É direito de cidadania. Politicagem é usar instituições para proveito próprio, para servir a objetivos corporativos ou individuais.O que o precisamos é de combate à politicagem e aos politiqueiros e seus seguidores, e isso serve para conselhos de classe, sindicatos, governos federais, estaduais e municipais. Precisamos de uma política anti-politicagem.

Jackelyne Pontes é cirurgiã-dentista, filiada ao Sinodonto-MT (Sindicato dos Odontologistas do Estado de Mato Grosso) e escreve exclusivamente para este blog todo domingo - jackelynepontes@gmail.com

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