11.01.2021

RODRIGO DAMASCENO "ABRE O JOGO" NO PORTAL TARAUACÁ - ENTREVISTA A LEANDRO MATTHAUS

 

Rodrigo Damasceno governou Tarauacá de 2013 a 2016. Atualmente é pré-candidato pelo PSDB.

O médico obstetra Rodrigo Damasceno, ex-prefeito de Tarauacá de 2013 a 2016, mais uma vez conversou com a reportagem do Portal Tarauacá, para tratarmos de assuntos relacionados a política e sua vida pessoal. Dentre os temas, ele fala a respeito das motivações que o levaram a desistir do pleito eleitoral de 2020 e romper com o grupo que o ajudou a chegar ao poder.

Ao desistir da candidatura em agosto de 2020, o médico optou pela manutenção do casamento em detrimento dos cargos eletivos. A época, o ex-gestor era cotado para vencer as eleições, como apontava as pesquisas. Perguntado se arrepende da escolha, Damasceno afirma que não, mas que a pessoa (esposa) poderia ter agido de outro modo com ele.

A respeito de romper a aliança com os antigos aliados, ele diz que não poderia deixar de apoiar a mãe, a empresária Bebé Damasceno. O homem que já chefiou o executivo de Tarauacá faz um lembrete a atual gestora: lembre-se que ela venceu com menos de 30% dos votos. Por isso, é preciso dialogar. Fator que ele aponta como parte de sua derrota em 2016.

O médico ainda avalia o Gladson Cameli e de Bolsonaro, além disso, deixa as portas abertas para uma empreitada para a Aleac.

Confira a entrevista na íntegra

Alguns falam que caso você tivesse disputado a eleição, hoje seria prefeito novamente. Tu se arrependes de ter apostado no casamento em detrimento da disputa eleitoral?

R. Damasceno: Acho que a pessoa que estava ao meu lado na época, não deveria ter se comprometido em algo tão sério, com repercussão na vida de todos nós tarauacaenses. Para em seguida ter separado. Acho que ela deveria ter pensado nisso antes de propor algo nessa magnitude. Agora de me arrepender em naquela época ter lutado por minha família, isso nunca. Da minha parte foi sincero e hoje vejo o quanto meus filhos estão sofrendo.

Se pudesse voltar no tempo faria de diferente?

R. Damasceno: Se soubesse que ela iria fazer isso logo em seguida. Sim. Acho que fui vítima de um jogo maior do que podia enxergar naquele período. Mas tudo entrego a Deus e o tempo serve para revelar e ajustar as coisas.

O ex-prefeito era casado com a fisioterapeuta Úrsula Prado, com quem tem dois filhos. Contudo, esse ano, o casal separou-se.


Você não apenas desistiu da disputa eleitoral, como também rompeu com os antigos aliados, tem algum arrependimento?

R. Damasceno: Arrependimento não. Porque fiquei em uma encruzilhada. E sempre que passei por minhas dificuldades ela (Bebé Damasceno/ mãe) esteve ao meu lado e naquela oportunidade não poderia ter tido outro comportamento. Mas acho que, se eu não tivesse sido ludibriado e tocado em um ponto tão delicado que é a família, estaria mais disponível para atuar em uma coalizão de forças por Tarauacá.

O grupo composto pelo PT (ex-partido de R. D), PCdoB e PSB, formavam uma aliança com PSDB- tendo Damasceno como o nome certo a liderar a chapa majoritária. Ao desistir, sua mãe foi ser vice na chapa de Abdias (Democratas), e as demais legendas disputaram a eleição com Batista (PCdoB) e Príncipe (PT), prefeito e vice, respectivamente.

Vamos falar da atual gestão

Qual a avaliação do ex-prefeito Rodrigo sobre a condução da administração da prefeita Neia ?

R. Damasceno: Acho que tá no começo de um mandato. Em uma cidade com muitas dificuldades e em um país que está em uma crise sem precedentes. Por isso, acho que a fase é de se unir. Daqui a 3 anos, tem eleição e é o período correto de avaliar com mais clareza.

Qual conselho daria para a prefeita?

R. Damasceno: Acho que ela tem que ter consciência que ganhou com pouco mais de 30% dos votos, tem que ter grandeza para juntar a população. É importante o diálogo além da Câmara e insistir ao máximo no diálogo. Hoje me arrependo em não ter dialogado mais. E segue valendo o meu conselho sobre a Caneta, use com prudência ao extremo.

Vida política

Depois de deixar o mandato de prefeito, como você se auto avalia?

R. Damasceno: Acho que fizemos muito em obras, buscando investimentos, procuramos ajustar a cidade e em momento de muita crise tanto externa quanto interna por conta das alagações. Mas isso é complexo e talvez minha pressa para que as coisas acontecessem tenha atrapalhado alguns processos e dificultado o diálogo com a população.

Quem é o Rodrigo no poder e fora do poder?

R. Damasceno: Essa é uma boa pergunta. Não diria o poder, mas o Rodrigo à frente de uma prefeitura era muito estressado, porque tinha uma prefeitura toda para dar conta. Não queria passar em branco, por isso lutei com todas as forças para fazer o meu melhor. Talvez seja a maior marca de minha família o trabalho, e tenho isso em meu DNA. Mas não é fácil estar à frente de uma prefeitura como a nossa. Com vícios antigos e mostrando para a população que a política certa não é o de dar as coisas da prefeitura, contudo, melhorar a cidade como um todo e trazer investimentos que garantam que a população conquiste sua própria renda. Mas isso, é fácil falar. Tentei e em nossa época haviam muitos investimentos em andamento. Mas a população, no primeiro momento, não compreendeu nossa mensagem. Já fora da Prefeitura, os estresses são bem menores. A vida fica mais leve, mas não me sinto completo, pois é injusto você dormir tranquilo, enquanto nossa cidade passa por essas dificuldades.

Qual a maior lição desse imbróglio envolvendo sua situação trabalhista em Feijó?


R. Damasceno: A princípio não queria ter ido para Feijó. Mas depois me comprometi com a cidade e hoje sou bem tratado tanto pela população quanto pela direção de Feijó. Contudo, fico triste em perceber que não teve luta da direção do hospital pela minha permanência. Ainda esperneie, mas foi em vão. Hoje vejo as dificuldades que estamos passando em Tarauacá sem ter médico para auxiliar as cirurgias na Maternidade e com a orientação de encaminhar as pacientes para ganhar neném em Cruzeiro do Sul e ainda essa situação de transferir a maternidade na marra, sem ter ao menos um prédio novo e moderno, como tem em Feijó. Isso me preocupa, e vejo que falta uma atuação maior de nossas lideranças estaduais em defesa de nosso município.

Política estadual e nacional

Governo Gladson?

R. Damasceno: Fez um bom trabalho na pandemia. Mas acho que deveria abrir os olhos em Tarauacá.

Gestão Bolsonaro?

R.Damasceno: Acho que tá pagando um preço alto pela forma que conduziu o governo federal na Pandemia. Espero que ele melhore, pois, nosso país precisa e muito.

Em qual palanque Rodrigo Damasceno estará: Gladson, Petecão ou Jenilson?

R.Damasceno: Não sei se estarei em algum palanque.

Pensa em disputar a eleição para deputado estadual?

R. Damasceno: Claro que sempre há possibilidade de querer ajudar nossa população além do nosso trabalho de médico. Alguns amigos e partidos vem me fazendo esse convite. E me sinto honrado por isso. Mas atualmente estou focado em finalizar a situação da minha separação e cuidar sobre a guarda dos meus filhos, que estão precisando muito do pai.

Do Portal Tarauacá

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